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J Couto
Ozório Couto. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Arcádia de Minas Gerais e da Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar de Minas Gerais. Email: ozoriocouto@gmail.com
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Apesar da intitulada continuidade — por ter Aécio Neves feito um excelente governo — a posse do professor Antonio Augusto Junho Anastasia traz sentido diferenciado para o modo de governar em Minas Gerais. Professor, essencialmente técnico, com aprendizagem política de alto nível nestes mais de sete anos, Anastasia é o protótipo do funcionário público e de cidadão do povo. Homem simples, culto, religioso, de esmerada educação, governará Minas Gerais por nove meses e, durante este tempo, prepara-se para a reeleição, sendo o candidato do PSDB. A torcida é grande. Mesmo que as pesquisas apontem outro candidato acima dos pontos creditados a ele, nas nossas andanças o que vemos em toda classe social é um saldo bem positivo. E a conversa flui. Acreditamos que, com o começo da campanha, sua graça aparecerá e com certeza será reeleito em outubro.
Uma forte chuva caiu sobre Belo Horizonte antes da solenidade no Palácio da Liberdade. Varreu a alma de todos e da despedida de Aécio Neves, que começa nova caminhada, e a promessa de fazer Antonio Augusto Junho Anastasia o governador das alterosas de 2011 a 2014. Foram momentos mágicos e nada alterou a programação, que foi belíssima. Os ex-governadores Rondon Pacheco, Itamar Franco e senador Eduardo Azeredo, Inês Maria, mãe de Aécio, e as filhas Andrea e Ângela, e ainda o pai Aécio Cunha estavam na sacada do Liberdade, juntos com Aécio e a filha Gabriela e Antonio Anastasia.
De manhã, na Assembleia, lotada, com algumas das principais figuras do poder mineiro, tendo a família como ponto-chave, como sua mãe Ilka Junho Anastasia e a simpatia que a cerca, a posse do novo governador foi prestigiadíssima. Na transmissão do cargo o que se via era contagiante alegria entre os presentes em si, que contavam artistas globais. Aécio Neves, com 92% de aprovação dos mineiros ao deixar o governo, parte também creditada ao novo governador, foi ovacionado e com surpresas na sua despedida, marcada pela música “Amigo”, de Roberto Carlos, cantada por cerca de 300 integrantes do grupo musical Tambores de Minas, que acenavam lenços brancos e soltaram balões no final, entre uma multidão de aproximadas oito mil pessoas e de três mil convidados dentro e nos jardins do Palácio.
O discurso de Anastasia foi sóbrio, elegante e feliz: “Aqui estamos para reafirmar nossa lealdade à nossa luta: pelo fortalecimento da federação, pelo prestígio aos nossos municípios, pelo respeito às pessoas, pela eficiência na gestão pública, pela ética e pela responsabilidade no trato da coisa pública.” Assim como também foi o do (futuro presidente do Brasil) Aécio Neves, que disputará, caso não haja mudanças do PSDB em relação ao Planalto, uma das duas cadeiras ao Senado. Aécio pronunciou: “É com essa emoção que me despeço de vocês como governador, para voltar ao meio de todos, como cidadão e conterrâneo, para os acompanhar e receber o que o destino me reservar. Aos amigos queridos que de todas as partes de Minas e de outros cantos do Brasil aqui [vieram] para nos abraçar e compartilhar conosco esses momentos tão marcantes. Obrigado, muito obrigado, e levem para suas casas a certeza de que aqui, no chão de terra dessas ruas, pratica-se a política com ética, trabalho, e o mais importante, com generosidade.” E disse sobre Anastasia: “Cumpro esta determinação legal com a mais absoluta confiança e serenidade. Conheço de perto a Inteligência, a larga experiência, e a visão de futuro que ele incorporou aos seus saberes, nesses longos anos dedicados ao serviço público. Todos os justos elogios à sua capacidade não modificaram, no entanto, os hábitos do homem simples, generoso, e a sua profunda identidade com os melhores valores de Minas.” E sobre sua postura como chefe do Executivo, enfatizou: “Honrei, todos os dias, o mandato de governador do Estado de Minas Gerais concedido a mim, por duas vezes, pela confiança da ampla maioria dos mineiros. Procurei estar à altura dessa confiança e dos sonhos de cada um de vocês. Trabalhei com dedicação, movido pela minha profunda solidariedade à nossa gente. Dediquei a Minas o que acreditei ser o mais importante: minha lealdade, minha coragem, minha alegria. Mas, sobretudo, o meu respeito e o meu amor.”
O Professor Anastasia completou seu tom sobre Aécio: “Terei a honra imensa de suceder-lhe no comando do Estado, concluindo seu mandato, com absoluta lealdade, ética e responsabilidade, mirando-me em seu exemplo de conduta invulgar e na grandeza de seus gestos. Meu esforço, sobre-humano se necessário, será o de dar continuidade à sua aplaudida e reconhecida administração, sempre inovando e aperfeiçoando; aliás, como foram os quase oito anos de seu histórico governo. Os compromissos de Aécio Neves são os compromissos de Antonio Anastasia.”
Eis a peça-chave para a excelente administração de ambos e para a continuidade. Mas a continuidade do que é bom, do que é viável para o desenvolvimento de Minas, com dedicação, ética, disciplina, bom senso e, sobretudo, fé no povo mineiro (e isso o Governador Antonio Augusto Anastasia tem de sobra). A marca de um governo que deu certo, um dos três mais expressivos de toda a história mineira — talvez mesmo o mais — por motivo da gestão inovadora e pelo segundo mandato sucessivo.
Momento de rara beleza foi quando um bando de maritacas, sem interferir no andamento da solenidade, deu um voo de um cedro a outro do jardim palaciano, em acrobacia e canto ritmados, chamando a atenção do professor Anastasia, que olhou e teve um breve sorriso de admiração e agradecimento. Interpretei que a natureza (inspirada no amor e na sinceridade) estava dando boas-vindas ao novo governador, nas cores vermelha e branca do estado, no verde das plantas e das aves, e na poesia que reinou naquela tarde.
Seja bem-vindo, professor Anastasia! |
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