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Cotidiano
Samuel Guimarães Email: samuelguimalho@yahoo.com.br
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O volante feminino
Mulheres sempre foram alvo de piadas ao dirigir,
mas será mesmo que elas são perigosas sobre quatro rodas?
O velho ditado “mulher ao volante, perigo constante” parece não sustentar mais uma "verdade" - enraizada na cultura do Brasil. Os dados mais recentes do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) são de 2007 e mostram que, das 267.828 mulheres habilitadas no Estado, 2.667 envolveram-se em acidentes, representando apenas 1% do total. Enquanto isso, dos 544.271 homens motoristas, 19.198 já bateram seus veículos, o que representa 3% do número total.
Em Minas Gerais, existem mais de quatro milhões de veículos. Desses, mais de um milhão são de Belo Horizonte, segundo o Detran.
As empresas de táxi mostram a diferença do número de homens e mulheres no trânsito de Beagá. De acordo com a coordenação da Coopertáxi BH, a maior cooperativa de táxi da capital, hoje, o número de taxistas do sexo feminino é de apenas três mulheres; já os homens somam 400. Joaquim Pinheiro, diretor da Unitáxi atribui a culpa do baixo número de mulheres no mercado de trabalho que envolve o transporte ao próprio sexo frágil. “A mulher tem receio, até mesmo por ser um mercado masculino”, analisa. “E o trânsito também está muito perigoso, as mulheres tem um pouco de medo”, teoriza.
Inês Aparecida é motorista há 18 anos e taxista há quatro. Ela conta das experiências que já teve. “Uma vez, uma senhora não quis fazer a corrida comigo porque, segundo ela, não gostava de andar com mulheres”, relembra. Inês, que já se envolveu em dois acidentes, sente que ainda existe muito preconceito com a mulher no trânsito, mas não nega que algumas dirigem mal. “É muito relativo; tem mulheres que dirigem mal, mas existem também as que dirigem bem e com os homens é a mesma coisa”, analisa.
As mulheres, quando decidiram sair de casa para tomar lugar na sociedade, sabiam que enfrentariam preconceitos. O Brasil é um país marcado por visão machista das situações. É ver que tudo mudou. E aceitar que os homens, na maioria dos casos, é que se envolvem em acidentes e discussões de trânsito.
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