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Luz, 07 de setembro de 2010. Bem vindo!
 
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Ozório Couto. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Arcádia de Minas Gerais e da Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar de Minas Gerais.
Email: ozoriocouto@gmail.com



Tributo a Alécio Cunha
 
Todos aqueles que conheceram e leram Alécio Cunha sabem que ele foi o mais completo representante das artes e da literatura no jornalismo, nas últimas décadas em Minas Gerais. Sabem que sua carreira foi meteórica e que deixou um legado muito importante.
No tocante à cultura, o pensamento de Alécio dirigia-se ao belo, procurando impregnar-se sempre da atenção dos leitores como num passe de mágica, prendendo a atenção e o espírito conciliador. A fixação da matéria era referência explícita e compartilhada de criatividade harmonizadora, que nos colocava diante de um jornalismo enriquecido pela inteligência.
A visão de Cunha ia além de nossa perspectiva, e a cada leitura que fazíamos de um de seus inúmeros artigos, fosse nas crônicas literárias ou nas reportagens que produzia, nos pactuava o Hoje em Dia de uma “beleza estética” que nos fazia sentir bons leitores.
E, muito mais do que isso, os valores de Alécio se estribavam nos princípios da cortesia e do bom-senso, na simplicidade enriquecida pela sabedoria de quem foi excelente aluno na escola de Comunicação e contagiante colega de trabalho ou amigo. A imaginação corria solta em Alécio Cunha, que não tinha tempo para pormenores dispensáveis ao bom andamento da vida cotidiana, seja na criação, seja no viver comum. Zelosamente procurava transmitir as aspirações sem academicismos e com honrada inspiração humanística.
Aliás, a referência maior em Alécio Cunha talvez não seja a sua clássica atuação como jornalista – ou a sua veia (azul) poemética –, tão plural e decantada, e real, mas a sua motivação sinergética como pessoa. Humanista e despretensioso, Alécio era sinônimo de valorização, de descobrir talentos novos, de cavar sinceridades, de sorrir ao mundo das artes. Os valores eram bem distribuídos, e seu patrimônio o trabalho, a família e fazer amigos.
Que sua juventude eterna seja símbolo para muitos e que seus sonhos e sua vocação sejam marcos no jornalismo brasileiro, como exemplo de profissional e de personalidade. As montanhas de Minas em suas curvas acolhem o vento da poesia para receber e repassar ao mundo, pelo menos em mínima memória, a boa esperança de ser e continuar viva. Abundância em princípios e fé.
 
Em tempo: Alécio Cunha nasceu em Boa Esperança, MG, em 7 de junho de 1969, e pertencia à Academia de Letras daquela cidade desde 2008. Casado com Márcia Queiroz, competente jornalista e colunista da revista Viver Brasil, pais de João, 7. Brilhante jornalista formado pela UFMG em 1990, passou pelo Jornal de Casa e pela revista Veja e atuava no Hoje em Dia e na revista Isto É. Também em 2008 foi condecorado com a Medalha Santos Dumont, do Governo de Minas Gerais, no Grau Prata. Autor dos livros: Lírica Caduca (PorHora, 1999) e Mínima memória (Scriptum, 2007), e Sintaxe urbana, a ser lançado em 2010, de poesias. Autor do texto do livro Mário Mariano (“adi edições”, 2007), trilíngue, sobre este grande artista mineiro, o qual tive a honra de editar, e com poema também de minha autoria, intitulado “Mário Mariano”. Participou das antologias Cinemas em palavras, 1996, O achamento de Portugal, 2005, e Terças poéticas, 2006. Foi professor de cinema na PUC Arcos.
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